Aves migratórias no território do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul

Todos os anos, no 2o sábado de maio e no 2o sábado de outubro, a UNESCO celebra o dia mundial das aves migratórias, com o objetivo ampliar a conscientização acerca da importância da preservação destes animais, seus ambientes e dos impactos que representam riscos a estas espécies, tais como a degradação de ambientes e os resíduos plásticos.
O comportamento migratório está presente em quase mil espécies pelo mundo, sendo realizado em geral para a busca de locais com maior disponibilidade de alimentos e/ou para a reprodução. As aves migrantes tendem a se deslocar nos períodos de outono e primavera, “fugindo” do rigor do inverno e “aproveitando” o verão. As migrações podem ser “curtas” entre os polos (norte ou sul) e a região equatorial, ou mesmo longas, de um polo ao outro.

No território do Geoparque Caminhos dos Cânions do Sul, temos diversos representantes desta avifauna migrante, sendo que algumas espécies são provenientes da América do Norte (migrantes neárticos), outros realizam migrações parciais (como por exemplo dentro do próprio território brasileiro) e ainda aves oriundas do sul (migrantes austrais) e podem ser encontradas tanto na porção mais serrana/interior do território como nas regiões litorâneas. Exemplos de aves migratórias encontradas na encosta da serra e na porção campestre são: Tesourinha (Tyrannus savana), Bem-te-vi-pirata (Legatus leucophaius), Juruviara (Vireo chivi), Gavião-tesoura (Elanoides forficatus), caboclinho-de-barriga-preta (Sporophila melanogaster) e a Araponga (Procnias nudicollis). Por sua vez, as aves oriundas do sul do continente (migrantes litorâneas da Antártida e Patagônia), utilizam o Revis Ilha dos Lobos, em Torres (RS), como local de alimentação e descanso, entre as quais cita-se: Albatroz (Diomedea spp.); Albatroz-de-sobrancelha (Thalassarche melanophrys); Albatroz-do-bico-amarelo (Thalassarche chlororhynchos); Batuíra-de-peito-tijolo (Charadrius modestus); Pardela (Pachyptila spp.); Pardela-de-bico-preto (Ardenna gravis); Pardela-escura (Ardenna griseus); Pardela-preta (Procellaria aequinoctialis); Pardelão-prateado (Fulmarus glacialoides); Petrel-grande (Macronectes giganteus); Trinta-réis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea) e umas das mais conhecidas e cativantes entre as pessoas em geral, mas em crescente risco de extinção, o Pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus).

O Pinguim de Magalhães

Esta ave marinha, entre setembro e abril, vive em colônias no extremo sul da América do Sul (entre o Chile, Argentina, e ilhas Falkland/Malvinas) e geralmente entre maio e março realizam movimentos migratórios, até o litoral norte do Rio Grande do Sul e litoral sul de Santa Catarina, podendo ainda alcançar a costa do Rio de Janeiro e eventualmente parte do nordeste do Brasil.

Ao longo do movimento migratório muitos indivíduos acabam perecendo, alguns por causas naturais (cansaço; fome; idade…); e outros por influência antrópica, seja por contato com petróleo e derivados (originados principalmente da água de lastro, ou proveniente da limpeza dos tanques das embarcações, os quais prejudicam a cobertura corporal e a regulação térmica destes animais), seja pela ingestão de resíduos, especialmente do tipo plástico (descartados diretamente na praia/mar ou mesmo relativamente longe destes, de onde são transportados por sangas e rio, que acabam chegando ao oceano e prejudicando não apenas os pinguins, mas também mamíferos aquáticos; tartarugas entre outros), o resulta em danos ao sistema digestório e impossibilidade de se alimentarem. Além disso, muitas vezes utilizam a praia como local de parada e descanso, e não raramente acabam se estressando com a interatividade forçada por curiosos, não conseguindo assim, o necessário descanso para que possam continuar em sua jornada, ou ainda podem adquirir patógenos pelo contato com humanos e/ou animais domésticos e também receberem alimentos inadequados a sua biologia.

BIO-DICA GEOPARQUE

Ao avistar um pinguim (ou outros animais marinhos na praia):
Informe aos órgãos ambientais (ICMBIO; Secretaria Estadual de Meio Ambiente; Órgão Ambiental Municipal; Polícia Ambiental);
Se possível sinalize e isole o local;
Não toque o animal e mantenha-se pelo há 5 m de distância,
Não emita sons altos perto do animal;
Não permita contato com animais domésticos;
Não ofereça alimentos.

Conteúdo desta publicação elaborado por:
Rivaldo Raimundo da Silva (Biólogo – Equipe GeoParque; Sec Mun de Turismo/Torres; e prof Ulbra Torres e Canoas) e Gustavo Piletti Plucenio (Biólogo/Torres – Colaborador)

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